A hiperglicemia hospitalar é uma complicação frequente em pacientes críticos e está associada a piores desfechos, incluindo maior risco de infecções, tempo prolongado de internação e aumento da mortalidade. Por isso, o tema ganhou destaque nas SBD 2025, que trazem recomendações práticas e baseadas em evidências para otimizar o manejo dessa condição.
Quando iniciar a insulinoterapia endovenosa?
Segundo a diretriz, a insulinoterapia endovenosa é o tratamento de escolha no paciente crítico. O início deve ser considerado diante de hiperglicemia persistente, definida como glicemia ≥ 180 mg/dL em duas ou mais medidas nas últimas 24 horas.
Essa recomendação é sustentada por evidências robustas que mostram benefícios no controle metabólico sem aumentar de forma significativa os riscos de hipoglicemia.
Quais são as metas glicêmicas ideais?
As evidências atuais reforçam que metas menos estritas são mais seguras e eficazes:
- Alvo recomendado: glicemias entre 140–180 mg/dL.
- Não recomendado: controle glicêmico rigoroso com valores <110 mg/dL, devido ao risco de hipoglicemia e complicações associadas.
Esse ajuste reflete uma mudança importante em relação a condutas mais antigas que preconizavam valores muito baixos, hoje considerados perigosos em terapia intensiva.
Qual insulina utilizar no ambiente hospitalar?
- A insulina regular é a de escolha para uso endovenoso, na solução padrão em soro fisiológico (SF) na concentração de 1 U/mL.
- Na indisponibilidade da insulina regular, podem ser considerados análogos de ação ultrarrápida, como lispro ou aspart.
Importância de protocolos padronizados
Um dos pilares para a segurança no manejo da hiperglicemia em pacientes críticos é o uso de protocolos institucionais padronizados. Eles devem ser:
- De fácil execução,
- Seguros,
- Adaptáveis à sensibilidade individual à insulina.
Esses protocolos permitem maior uniformidade na assistência, reduzem erros e aumentam a segurança do paciente em ambientes complexos, como as UTIs.
O que isso representa na prática hospitalar?
As recomendações da SBD 2025 orientam para uma abordagem equilibrada, evitando tanto o risco de hiperglicemia sustentada quanto o de hipoglicemia severa. Isso garante que o foco seja a segurança do paciente crítico, ao mesmo tempo em que se promovem melhores desfechos clínicos.
O controle glicêmico adequado é, portanto, uma medida fundamental na linha de cuidados intensivos e deve ser parte integrante das rotinas assistenciais hospitalares.
Sobre a autora
Dra. Denise Momesso – Endocrinologista, Coordenadora do Departamento Hospitalar da SBD Nacional. Participou da elaboração das Diretrizes SBD 2025, com atuação nos capítulos hospitalares (hiperglicemia em críticos e não críticos, perioperatório, programas de controle glicêmico, emergências hiperglicêmicas e pé diabético).