Em junho de 2025 tive a honra de participar do International Thyroid Congress (ITC), um dos eventos mais importantes do mundo na área de tireoide, realizado a cada cinco anos e organizado pelas principais sociedades internacionais: LATS (Latino-Americana), ATA (Americana), ETA (Europeia) e OETA (Ásia-Oceania).
Nesse congresso, atuei como palestrante e avaliadora de trabalhos científicos, reforçando meu compromisso com a produção e disseminação do conhecimento científico de alto nível.
Tema da apresentação: Conduta nos nódulos indeterminados de tireoide
Durante minha palestra, abordei a atualização sobre a conduta nos nódulos indeterminados, um dos tópicos mais desafiadores na prática clínica da endocrinologia atual.
Pontos-chave apresentados
- Nódulos com resultado de citologia Bethesda II e IV: considerados indeterminados após PAAF (punção aspirativa por agulha fina).
- Nódulos com resultado de citologia Bethesda III: recomendada nova PAAF e subcategorização conforme achados citopatológicos. A presença de atipias nucleares aumenta o risco de malignidade.
Condutas possíveis:
- Acompanhamento clínico: indicado para nódulos com ultrassonografia (US) de baixo risco (TIRADS 1, 2, 3), sem fatores de risco adicionais e/ou Bethesda III com atipias arquiteturais.
- Testes moleculares: úteis em nódulos com suspeita intermediária na US (TIRADS 3, 4).
- Cirurgia: indicada para nódulos com alta suspeita na US (TIRADS 5), fatores clínicos de risco, Bethesda III com atipias nucleares ou teste molecular positivo.

O que esse debate representa na prática clínica
O manejo dos nódulos indeterminados deve ser individualizado, levando em consideração:
- As características do nódulo na ultrassonografia,
- Fatores clínicos do paciente,
- Preferências individuais,
- O acesso ao sistema de saúde, incluindo exames e testes moleculares,
- O custo-benefício de cada estratégia.
Essas decisões impactam diretamente no equilíbrio entre evitar cirurgias desnecessárias e garantir diagnóstico precoce de malignidades.
Contribuição científica e relevância do congresso
Participar como palestrante e avaliadora de trabalhos no ITC reforça a importância da integração entre especialistas de diferentes continentes. Eventos como esse permitem atualização científica, troca de experiências e a construção de consensos que orientam a prática clínica mundial